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Artes - Fundamental II - Fascículo 08

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ARTE

Ensino Fundamental II

Camila O. Louro Machado e Rosana da Silva Pinto

Fascículo 8
Unidades 18, 19, 20 e 21
GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Governador Vice-Governador
Luiz Fernando de Souza Pezão Francisco Oswaldo Neves Dornelles

Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social


Gabriell Carvalho Neves Franco dos Santos

Secretário de Estado de Educação


Wagner Victer

FUNDAÇÃO CECIERJ

Presidente
Carlos Eduardo Bielschowsky

PRODUÇÃO DO MATERIAL CEJA (CECIERJ)


Elaboração de Conteúdo Projeto Gráfico
Camila O. Louro Machado Núbia Roma
Rosana da Silva Pinto Ilustração
Diretoria de Material Didático André Amaral
Cristine Costa Barreto André Dahmer
Vinicius Mitchell
Coordenação de
Design Instrucional Programação Visual
Bruno José Peixoto Núbia Roma
Flávia Busnardo Capa
Paulo Vasques de Miranda André Dahmer
Revisão de Língua Portuguesa
José Meyohas
Produção Gráfica
Fábio Rapello Alencar
Diretoria de Material Impresso
Ulisses Schnaider

Copyright © 2018 Fundação Cecierj / Consórcio Cederj


Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e/ou gravada, por qualquer meio
eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.

M149s
Machado, Camila O. Louro.
CEJA : Centro de educação de jovens e adultos. Ensino fundamental
II. Arte. / Camila O. Louro Machado, Rosana da Silva Pinto. – Rio de Janeiro :
Fundação Cecierj, 2018.
Fasc. 8 – unid. 18/19/20/21
ISBN: 978-85-458-0137-5
1. Arte. 2. Arte de rua. 3. Grafite. 4. Arte Naife. 5. Arte africana. 6. Arte
indígena. I. Pinto, Rosana da silva. 1. Título.
CDD:700

Referências bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.


Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Sumário
Unidade 18 5
Grafite, arte de rua

Unidade 19 17
A Ingenuidade da Arte Naïf

Unidade 20 27
Arte Africana

Unidade 21 35
O Colorido do Índio Brasileiro
Prezado(a) Aluno(a),

Seja bem-vindo a uma nova etapa da sua formação. Estamos aqui


para auxiliá-lo numa jornada rumo ao aprendizado e conhecimento.

Você está recebendo o material didático impresso para acompanha-


mento de seus estudos, contendo as informações necessárias para
seu aprendizado e avaliação, exercício de desenvolvimento e fixação
dos conteúdos.

Além dele, disponibilizamos também, na sala de disciplina do CEJA


Virtual, outros materiais que podem auxiliar na sua aprendizagem.

O CEJA Virtual é o Ambiente virtual de aprendizagem (AVA) do CEJA.


É um espaço disponibilizado em um site da internet onde é possível en-
contrar diversos tipos de materiais como vídeos, animações, textos, lis-
tas de exercício, exercícios interativos, simuladores, etc. Além disso, tam-
bém existem algumas ferramentas de comunicação como chats, fóruns.

Você também pode postar as suas dúvidas nos fóruns de dúvida.


Lembre-se que o fórum não é uma ferramenta síncrona, ou seja, seu
professor pode não estar online no momento em que você postar seu
questionamento, mas assim que possível irá retornar com uma resposta
para você.

Para acessar o CEJA Virtual da sua unidade, basta digitar no seu na-
vegador de internet o seguinte endereço: http://cejarj.cecierj.edu.br/ava

Utilize o seu número de matrícula da carteirinha do sistema de contro-


le acadêmico para entrar no ambiente. Basta digitá-lo nos campos “nome
de usuário” e “senha”.

Feito isso, clique no botão “Acesso”. Então, escolha a sala da disciplina


que você está estudando. Atenção! Para algumas disciplinas, você preci-
sará verificar o número do fascículo que tem em mãos e acessar a sala
correspondente a ele.

Bons estudos!
Grafite, arte de rua
Arte - Fascículo 8 - Unidade 18

Objetivos de aprendizagem

1. Identificar as características da Arte Grafite;

2. Reconhecer a Arte Grafite como meio de comunicação.

Ensino Fundamental II
Para início de conversa...
Você já observou que alguns muros das ruas de sua cidade estão re-
pletos de desenhos? Muitos desses desenhos são chamados de grafite.

O ato de desenhar em muros não começou no século XX. Desde a


Pré-história, o homem sente necessidade de se expressar através de
desenhos. Seus desenhos eram feitos nas paredes das cavernas.

Hoje em dia, quando andamos pelas ruas, deparamos com uma


enorme quantidade de desenhos realizados em fachadas ou muros, fei-
tos com tinta spray. A necessidade de se expressar por desenhos dura
até os dias de hoje!

1. Origem do Grafite
A palavra graffiti é o plural de grafitto, de origem italiana; significa “es-
critas feitas com carvão”. Os romanos tinham o costume de escrever
com carvão nas paredes de suas construções. Alguns destes graffitis
ainda podem ser vistos nas catacumbas de Roma e em outros sítios
arqueológicos espalhados pela Itália.

A partir do movimento contracultural, de maio de 1968, quando os


muros de Paris foram suporte para inscrições de caráter poético-polí-
tico, a prática do grafite generalizou-se pelo mundo. Contudo, foi nos
Estados Unidos, na década de 70, que o grafite se popularizou.

Jovens do Bronx, bairro de Nova Iorque (EUA), começaram a deixar


seus desenhos nas paredes da cidade. Para muitas pessoas, o grafite
está diretamente ligado ao Hip Hop – movimento de periferia, originário
dos guetos americanos, que une o RAP (música), o “break” (dança) e o
grafite (Artes Plásticas).

Dentre os grafiteiros americanos, o mais famoso talvez seja Jean-


-Michel Basquiat, que, no final dos anos 1970, despertou a atenção da
imprensa novaiorquina pelas mensagens poéticas que deixava nas pa-
redes dos prédios abandonados de Manhattan. Posteriormente, Bas-
quiat ganhou o rótulo de neo-expressionista e foi reconhecido como um
dos mais significativos artistas do final do século XX.

6 Ensino Fundamental II
Figura 18.1: Jean-Michel Basquiat - Man from Naples, 1982

No Brasil, as primeiras manifestações dessa arte apareceram no fi-


nal da década de 1970 em São Paulo. Em 1985, a XVIII Bienal lançou os
primeiros nomes de grafiteiros brasileiros com Zaidler e Alex Vallauri.
O grafite brasileiro é reconhecido no mundo todo! Hoje em dia, muitos
grafiteiros brasileiros exibem seus grafites em muros de países de qua-
se todos os continentes.

Vamos agora conhecer as obras de alguns artistas que divulgam o


grafite brasileiro pelo mundo.

Figura 18.2: Crânio - Grafite feito na cidade de São Paulo

Arte - Fascículo 8 - Unidade 18 7


Figura 18.3: Os Gêmeos - Grafite mural na Dewey Square, 2012

Figura 18.4: Eduardo Kobra - Mural feito na cidade do Rio de


Janeiro

Figura 18.5: Nina Pandolfo - Grafite feito na cidade de São Paulo

8 Ensino Fundamental II
Saiba mais
Para conhecer um pouco mais sobre as obras de alguns gra-
fiteiros brasileiros, assista ao documentário Cidade Cinza.

https://www.youtube.com/watch?v=svFLNSQevag

2. É Arte ou Pichação?
Discutir a grande diferença entre grafite e pichação faz com que você
reflita como o grafismo é uma arte muito mais complexa, muito popular
entre os jovens de todo o mundo.

O grafite é uma expressão artística contemporânea que surge nas


ruas do mundo inteiro, retratando as características culturais das di-
versas regiões, mostrando os diversos termos e gírias. A pichação é
crime, não é considerada arte, é uma forma muito simplista de poluir
visualmente as ruas e a cidade, por não ter senso estético e por não ter
autorização do proprietário do espaço.

Figura 18.6: Throw-up

Arte - Fascículo 8 - Unidade 18 9


Você sabe como os grafiteiros assinam as suas produções artísti-
cas? Não? É através do Tag, nome/pseudônimo do artista. O grafite é
composto por vários estilos. O Throw-up são letras rápidas, normalmen-
te sem preenchimento de cor; possuem apenas o contorno. É a ativida-
de do grafiteiro quando este se limita a assinar paredes.

Outro estilo do grafite é o Bombing ou Bomb, de característica rápida,


com letras mais simples.

Figura 18.7: Bombing

O Stencil é um tipo de grafite feito com um molde recortado em car-


tolina ou radiografia ou em outros materiais, de maneira a criar formas
predefinidas, encostando esse molde em uma superfície e passando
spray por cima.

Figura 18.8: Stencil

10 Ensino Fundamental II
Saiba mais
Um dos grafiteiros mais famosos do mundo é o inglês
Bansky.

Banksy é o pseudônimo de um artista pintor de graffiti, pin-


tor de telas, ativista político e diretor de cinema britânico. A
sua arte de rua, satírica e subversiva, combina humor negro
e graffiti feito com uma distinta técnica de estêncil. Seus
trabalhos de comentários sociais e políticos podem ser en-
contrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o
mundo. O trabalho de Banksy nasceu da cena alternativa de
Bristol e envolveu colaborações com outros artistas e músi-
cos. Conhecido pelo seu desprezo pelo governo que rotula
graffiti como vandalismo, Banksy expõe sua arte em locais
públicos, como paredes e ruas, e chega a usar objetos para
expô-la. Banksy não vende seus trabalhos diretamente, mas
sabe-se que leiloeiros de arte tentaram vender alguns de
seus graffitis nos locais em que foram feitos e deixaram o
problema de como remover o desenho nas mãos dos com-
pradores. O primeiro filme de Banksy, ‘Exit Through the Gift
Shop’, teve sua estreia no Festival de Filmes de Sundance;
foi oficialmente lançado no Reino Unido no dia 5 de março
de 2010 e, em janeiro de 2011, foi nomeado para o Oscar de
Melhor Documentário.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Banksy

Está curioso para ver esse documentário sobre o Bansky?


O filme está disponível no Youtube: https://www.youtube.
com/watch?v=qVYYHDKhqHQ

Figura 18.9: Banksy - Grafite


no muro da Cisjordânia

Arte - Fascículo 8 - Unidade 18 11


Figura 18.10: Banksy

Anote as respostas em seu caderno.


Atividade 1

Leia o texto a seguir.

Surgiu, nos bairros pobres de Nova York, um tipo de música diferente;


esse novo estilo se caracterizava principalmente pela batida marcada e
pela forma quase falada com a qual o cantor o interpretava. Suas letras
abordavam a desigualdade social e representavam o grito de protesto
das camadas menos assistidas da sociedade. Surgia, então, o Hip Hop,
acompanhado de sua dança, o “Break”! Adere-se a essa musicalidade
uma nova prática de pintura, realizada nos muros e paredes externas
dos prédios. Esse novo tipo de pintura foi chamado “grafite” e, por conta
dessa técnica toda especial para sua execução, alcançou o status de
trabalho de arte.

Agora, responda às perguntas em seu caderno:

a. Qual a diferença entre grafite e pichação?

b. Qual dos elementos do Hip Hop despertou sua atenção? Justifi-


que.

Anote as respostas em seu caderno.

12 Ensino Fundamental II
Anote as respostas em seu caderno.
Atividade 2

Em uma folha de papel A4, escreva uma palavra que tenha um signi-
ficado importante para você, utilizando um dos estilos dos grafiteiros.

Para realizar essa atividade, primeiro faça vários rascunhos, utilizan-


do lápis.

Boa criação!

Anote as respostas em seu caderno.

Resumo
■■ A palavra graffiti é o plural de grafitto, de origem italiana; significa “es-
critas feitas com carvão”. Os romanos tinham o costume de escrever
com carvão nas paredes de suas construções;

■■ Foi nos Estados Unidos, na década de 70, que o grafite se populari-


zou. O grafite está diretamente ligado ao Hip Hop – movimento de
periferia, originário dos guetos americanos, que une o RAP (música),
o “break” (dança) e o grafite (Artes Plásticas);

■■ No Brasil, as primeiras manifestações dessa arte apareceram no fi-


nal da década de 1970 em São Paulo. Hoje em dia, muitos grafiteiros
brasileiros exibem seus grafites em muros de países de quase todos
os continentes;

■■ O grafite é uma expressão artística contemporânea, já a pichação é


crime, não é considerada arte; é uma forma muito simplista de poluir
visualmente as ruas e a cidade, por não ter senso estético e por não
ter autorização do proprietário do espaço;

■■ O grafite é composto por vários estilos: Throw-up, Bombing e Stencil


são alguns exemplos.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 18 13


Referências
http://www.wiKipédia.org/

ARCHER, Michael. Arte Contemporânea: Uma Historia Concisa. São Pau-


lo: Martins Fontes, 2001.

http://www.hypeness.com.br/2015/09/10-grafiteiros-brasileiros-que-
-fazem-sucesso-na-gringa/

Imagens
Figura 18.1 - https://www.guggenheim-bilbao.eus/en/works/man-from-naples/
Figura 18.2 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_G%C3%AAmeos#/media/File:The_Dewey_Square_
mural_(2012).jpg
Figura 18.3 - https://www.flickr.com/photos/cranioartes/6125829430/
Figura 18.4 -https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Kobra#/media/File:Povos_nativos_dos_5_
continentes.jpg
Figura 18.5 -https://pt.wikipedia.org/wiki/Grafite_e_picha%C3%A7%C3%A3o_na_cidade_
de_S%C3%A3o_Paulo#/media/File:Eixo_Leste-Oeste,_osgemeos,_Nina_Pandolfo,_Nunca,_Finok,_
Zefix,_Vitch%C3%A9_e_Herbert_Baglione_(5878523988).jpg
Figura 18.6 -https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/86/Throw-Up.jpg
Figura 18.7- https://www.flickr.com/photos/24293932@N00/3585563189
Figura 18.8-https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1d/Graffiti_stencil_
Porto_%285014030581%29.jpg
Figura 18.9 - https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_da_Cisjord%C3%A2nia#/media/File:Bethlehem_Wall_
Graffiti_1.jpg
Figura 18.10 - https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Shop_Until_You_Drop_by_
Banksy.JPG

Resposta das atividades

Atividade 1

a. A Arte Grafite é ampla, radical e popular entre os jovens de todo o


mundo, além de ter um senso estético; a pichação é um crime de polui-
ção visual, sem senso estético, que polui visualmente as cidades.

b. Você pode responder qualquer um dos quatros elementos entre o


BREAK, que representa o corpo através da dança; o MC, a consciência, o
cérebro; o DJ, a alma, essência e raiz; o GRAFFITI, a expressão da arte, o
meio de comunicação. É só escolher! Não deixe de justificar sua escolha
através dos conceitos atribuídos a cada um dos elementos.

Atividade 2

Resposta pessoal

14 Ensino Fundamental II
Exercício
1. Observe a obra do artista Jean Basquiat. Basquiat foi um dos gra-
fiteiros mais famosos dos EUA. Vimos, nesta unidade, que o gra-
fite não é uma arte que surgiu no século XX. Descreva a origem
do grafite.

Resposta do exercício

1. Desde a Pré-história, o homem se expressa através de desenhos


feitos nas paredes das cavernas. Em Roma, os romanos tinham o
costume de escrever com carvão nas paredes de suas construções
- e é de lá que surge o nome graffiti (escritas feitas com carvão).
O grafite se popularizou nos Estados Unidos na década de 1970.
Jovens do Bronx, bairro de Nova Iorque (EUA), começaram a deixar
seus desenhos nas paredes da cidade. Para muitas pessoas, o gra-
fite está diretamente ligado ao Hip Hop.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 18 15


A Ingenuidade
da Arte Naïf
Arte - Fascículo 8 - Unidade 19

Objetivos de aprendizagem

1. Distinguir as características da Arte Naïf;

2. Identificar os vários nomes da Arte Naïf;

3. Reconhecer a Arte Naïf no Brasil.

Ensino Fundamental II
Para início de conversa...
O que vem a ser uma Arte Naïf? Este termo curioso – naïf – nos re-
mete a ingenuidade. Mas será que os artistas que produzem obras com
este nome são tão ingênuos assim? Você vai observar, em algumas
imagens desta apostila, cenas simples e com muitas cores, que nos
fazem lembrar festa e alegria. Será que simplicidade, festa e alegria po-
dem ser confundidas com ingenuidade ou pouca astúcia? Naïf significa
aquele que é simples, franco, sincero. E é com sinceridade, simplicidade
e alegria que falaremos um pouco sobre estas obras e artistas simples-
mente encantadores!

Introdução
A Arte Naïf é exótica, nascente ou natural, tem afinidades com a arte
popular e, mais ainda, com o folclore, sendo, muitas vezes, anônima, de
autor desconhecido; presume a existência, por contraste, de uma forma
de arte acadêmica, “não ingênua”, “consciente”.

No Brasil, é também conhecida como Arte Primitiva ou Arte Ingênua.


Esta arte é constituída de produções artísticas de pintores sem prepa-
ração acadêmica e não é ligada a nenhuma escola ou tendência. En-
tretanto, este fato não deve nos levar a confundir com a qualidade das
obras que não têm o caráter de inferioridade. Geralmente, essas obras
são classificadas como “naïve”. Os temas abordados são populares, de
inspiração do meio rural ou do meio urbano.

Figura 19.1: Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/Rio%2Cmuseoint
ernazionaledell%27arte_naif%2C_int._01.JPG

18 Ensino Fundamental II
Figura 19.2: Paisagem naïf de autor desconhecido, possivelmente
pernambucano, dos anos 70. Coleção de Ricardo Frantz
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Naif00.jpg

1. Sobre a Arte “Naïve”


Você deve estar surpreso com tantos nomes para uma arte, não é
mesmo. Mas, a explicação é simples. Naïve é um termo francês, femini-
no de Naïf. A origem do termo é do latim nativus, que significa natural,
instintivo, simples, rústico.

E por que se usa esse termo vindo do francês? Porque Henri Rous-
seau é francês e foi o primeiro Naïf moderno a se expor e ser valori-
zado. E o que os dois estilos têm em comum? Na representatividade
de suas obras, se observa a aplicação das cores primárias, inspiradas
no folclore, levando para as telas as técnicas de aparência rudimen-
tar ou rude. Fica como se uma criança tivesse pintado. Mas, enquanto
para as crianças, não passa de divertimento, para os primitivistas, há
uma intencionalidade.

Ficou claro agora? Que bom! Vamos saber mais?

Arte - Fascículo 8 - Unidade 19 19


Figura 19.3: Haiti X Brasil 2004. Maxon Jean Louis. Haiti, 2005.
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/
Rio%2dell%27arte_naif%2C_int._01.JPG
Pejorativo
Que expressa
desaprovação
ou significação
desagradável.

Erudito
De instrução
elevada, adquirida
pelo conhecimento
e educação.

Popular Figura 19.4: Casamento. Joaquim Pedroso


Gomes de Oliveira
Do, ou próprio do Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
povo; feito para o commons/c/c7/dell%27arte_naif%2C_int._01.JPG
povo.

Pode-se afirmar que a Arte é Primitiva – lembrando que o termo não


é pejorativo e, sim, é uma arte produzida por artistas não eruditos, ou
Urbano
Relativo ou
seja, que não têm formação acadêmica – é considerada arte popular
pertencente à porque vem do povo. Apresenta-se com simplicidade e informalidade,
cidade; que tem isto é, há ausência de aspectos formais acadêmicos. A Arte Naïf cede
características de
lugar a uma aparente “ingenuidade grotesca”, tendo a obra um aspecto
cidade.
de não aperfeiçoada.

20 Ensino Fundamental II
Essas características ficam evidentes na forma desajeitada quando
são aplicados os elementos formais, nas dificuldades com o desenho,
na perspectiva fora dos padrões, no uso das cores primárias, no autodi-
datismo, nas técnicas rudimentares adquiridas de modo experimental,
na espontaneidade, na liberdade de expressão.

Academicismo é quando a obra se apresenta com uma composi-


ção adequada e equilibrada, com a perspectiva tradicional, mostrando
a proporcionalidade do que se quer representar. Para finalizar, as cores
são utilizadas com seus matizes ou mescla de tonalidades.

O Brasil, a França, o Haiti e a Itália são considerados os países que


mais representam a Arte Naïf.

2. A Arte Naïf no Brasil


O Brasil, por suas características, com um rico folclore, é um berço
da pintura ingênua. A riqueza da pintura Naíf brasileira é devida à di-
versidade de temas relativos à fauna, à flora, ao sincretismo religioso e
às várias etnias. Lucien Finkelstein é fundador e presidente do Museu
Internacional de Arte Naif do Brasil, o MIAN.

Saiba mais
Na cidade do Rio de Janeiro, existe um Museu de Arte Naïf
que, infelizmente, encontra-se fechado por falta de patrocí-
nio. Mas não custa dar uma passadinha no site do museu
para conferir mais algumas imagens, conhecer outros ar-
tistas e saber um pouco sobre esse estilo fascinante! http://
www.museunaif.com/en/

Dentre os inúmeros representantes desta arte no Brasil, encontra-


mos Heitor dos Prazeres, que pode ser considerado um dos pioneiros
desta modalidade artística. Funcionário público e compositor de músi-
ca popular, recebeu inúmeros prêmios, como o da Primeira Bienal Inter-
nacional de São Paulo, em 1951.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 19 21


Figura 19.5: Festa de São - João Heitor dos Prazeres
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/Rio%2dell%27arte_naif%2C_int._01.
JPG

Temos também a artista Djanira da Motta e Silva, pintora, desenhis-


ta, cartazista e gravadora. Na obra de Djanira, coexistem a religiosidade
e a diversidade de cenas e paisagens brasileiras. Sua trajetória permite
compreender a condensação de elementos apresentada em seus dese-
nhos, pinturas e gravuras.

Figura 19.6: Djanira da Motta e Silva - Candomblé


Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Embarque_bananas_-_Djanira_REFON.jpg

22 Ensino Fundamental II
Outra artista, representante desta arte Naïf, internacionalmente co-
nhecida, é Madeleine Colaço, mexicana que veio para o Brasil em 1940
e que se celebrizou pela arte de tapeçaria, tendo criado um ponto de
bordado conhecido como “brasileirinho”.

Figura 19.7: Madeleine Colaço - tapeçaria


Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/Rio%2dell%27arte_naif%2C_int._01.JPG

Resumo
O termo naïve vem do francês e significa ingênuo, representando,
portanto, uma arte livre e pura. Esta arte é constituída por produções ar-
tísticas de pintores sem preparação acadêmica e não é ligada a nenhu-
ma escola ou tendência. Caracteriza-se pela simplicidade, espelhando-
-se no folclore, com temas rurais ou urbanos, tendo o autodidatismo
como mentor.

A Arte Naïf possui várias designações e têm, em sua execução, a


pureza e a ingenuidade, deixando de lado as regras tradicionais de
uma arte acadêmica, sem escola nem orientação. Representa o fa-
zer artístico de uma criatividade autêntica e, de modo geral, com
bastante espontaneidade.

Representa o meio urbano e o rural, não tendo uma única origem. Ela
é considerada uma arte popular e vinculada às determinações folclóri-
cas, de artistas livres, sem ligação com tendências e escolas. O Brasil
é muito rico na arte Naïf - muito em função da riqueza do seu folclore.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 19 23


Referências
D’AMBROSIO, O. Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro
de Deus. São Paulo. Editora Unesp,1999.

https://commons.wikimedia.org

Exercícios
1. De todos os nomes dessa arte considerada pura e ingênua, o que
provocou um grande interesse em você? Justifique.

2. Você poderia explicar o que é Arte Erudita e o que é Arte Popular?

3. Observando a obra apresentada a seguir, marque o único


item correto.

Paisagem naïf de autor desconhecido, possivel-


mente pernambucano, dos anos 70. Coleção de
Ricardo Frantz
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Naif00.jpg

I – Paisagem urbana;

II - Paisagem rural;

III - Somente selva;

VI - Urbano e rural.

24 Ensino Fundamental II
(A) Apenas a I está certa;

(B) Apenas a I, II e III estão corretas;

(C) Apenas a II está correta;

(D) Apenas a VI está correta.

Respostas dos exercícios

1. Qualquer que seja a sua escolha, você deve justificar com as carac-
terísticas da Arte Naíf. A Arte Primitiva ou a Arte Naïve são produ-
ções artísticas de pintores sem preparação acadêmica; não é ligada
a nenhuma escola ou tendência. Caracteriza-se pela simplicidade,
espelhando-se no folclore, e pelo autodidatismo.

2. Você deve responder que Arte Erudita é a arte própria de artistas


de instrução elevada, de conhecimento acadêmico. Arte Popu-
lar é a arte própria de artistas que vêm do povo, retratando coi-
sas do próprio povo. O artista é autodidata e não tem nenhuma
formação acadêmica.

3. Você deve marcar a letra (C) porque a característica que prevalece


é a paisagem rural.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 19 25


Arte Africana
Arte - Fascículo 8 - Unidade 20

Objetivos de aprendizagem

1. Identificar, pelo menos, um pintor que tenha sido influenciado pela


arte africana;

2. Reconhecer o elemento estético mais presente na arte africana.

Ensino Fundamental II
Para início de conversa...
Normalmente costumamos chamar, genericamente, as imagens e
objetos produzidos por determinadas culturas ancestrais obras de arte.
Mas será que as sociedades antigas possuíam esta noção – de obra
de arte – da mesma forma que temos hoje? A ideia do artista autoral e
produtor de objetos únicos só surgiu na sociedade ocidental após a Ida-
de Média; sendo assim, nem todas as imagens e objetos antigos foram
criados com esse status de obra de arte. Muito do que era produzido
tinha uma função prática ou espiritual.

Mas, nos dias de hoje, considerar as produções antigas como arte


torna-se importante para que as gerações atuais e futuras possam per-
ceber a importância e a influência que as culturas antigas exercem so-
bre o que nós somos hoje. Não podemos ter absoluta certeza se os po-
vos africanos ancestrais consideravam suas peças de madeira, tecido,
Arte
cerâmica ou metal como “verdadeiras” obras de arte ou apenas como
representativa
objetos comuns para uso diário e ritualístico, mas, através desses arte-
Arte que se
desenvolve fatos, é possível termos alguma noção da beleza e da complexidade da
principalmente cultura de muitos povos africanos antigos.
na pintura, pela
representação de
seres e objetos
em suas formas
Introdução
reconhecíveis para
A história da arte africana tem seus registros nas esculturas pré-
aqueles que as
olham. -históricas. As mais antigas e conhecidas são as dos Nok, cultura da
Nigéria, feitas por volta de 500 d.C. A civilização africana tem uma visão
de seu próprio universo cultural, muito simbólico, ou seja, o africano
busca a harmonia e o equilíbrio das figuras naturais e de animais de
Valores étnicos
sua vegetação.
Etnia significa
grupo que é Outro conceito fundamental para os africanos é a ideia de comuni-
culturalmente dade, já que todas as tribos se empenham em participar das questões,
homogêneo. Do
tanto no nível espiritual quanto no nível terreno.
grego ethnos, povo
que tem o mesmo É uma arte extremamente representativa. Chama atenção pela
ethos, costume,
sua forma estética em seu conjunto ornamental nas mais variadas for-
e tem também a
mesma origem, mas expressivas. Tanto na pintura, como na escultura, a presença da
cultura, língua, figura humana se identifica na preocupação com os valores étnicos,
religião, etc. morais e religiosos.

28 Ensino Fundamental II
Na atualidade, como em todos os períodos da arte, importantes ino-
vações também têm sido assimiladas, com a mesma ênfase, na coexis-
tência dos estilos e modos de expressão já estabelecidos. Um grande
número de formas de arte tem sido disseminado por entre as diversas
culturas africanas.

Figura 19.1: Objetos de arte africana


Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.
php?title=African+art&uselang=pt

1. Arte Geometrizada
A arte africana representa os usos e costumes das tribos africanas,
além de ser extremamente voltada ao espírito religioso, uma das carac-
terísticas dos povos africanos.

Seus objetos de arte são funcionais, isto é, de natureza prática. Per-


cebem-se os mais variados motivos, que vão desde as formas essen-
cialmente geométricas até a reprodução de cenas de caça e guerra. A
mais importante manifestação da arte africana é, porém, a escultura,
sendo que a madeira é um dos materiais preferidos.

Além disso, os vários povos africanos desenvolvem outras técnicas,


como a cestaria, a pintura e a colagem de tecidos.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 20 29


Figura 19.2:Tecido Kente, de Gana
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ewe_kente_stripes,_Ghana.jpg

2. Arquitetura, pintura, escultura


Quanto à arquitetura africana, comum a todos os povos, é importan-
te verificar que utilizam materiais pertencentes à sua região geográfica.
Independentemente de sua hierarquia, todos possuíam o mesmo tipo
de casa, não como expressão de igualdade, mas em relação à tribo a
que pertenciam.

A arte africana contemporânea vem recebendo influência do tema


cristão, como pode ser visto nas igrejas e catedrais, do mesmo modo
que se tem observado o desenvolvimento de formas e estruturas oci-
dentais modernas, como podemos observar em algumas agências
bancárias, estabelecimentos comerciais e sedes governamentais.

30 Ensino Fundamental II
Figura 19.3: O Museu do Palácio na Cidade de Pedra - Patrimônio Mundial
da UNESCO - Cidade de Pedra, de Zanzibar
Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=African+art&uselang=pt

Na pintura, podemos citar uma técnica muito rica na África, princi-


palmente no Quênia, o batique ou batik. É uma técnica de tingimento
em tecido artesanal. Existe o batique africano e o javanês. O batik ou
batique africano é dominado pelos quenianos. Assim como em toda
manifestação artística, as formas geométricas estão presentes tam-
bém nesta técnica, porém, os artistas adoram introduzir animais como,
por exemplo, as girafas. Há, ainda, na pintura africana, uma preocupa-
ção com os valores étnicos, morais e religiosos.

Figura 19.4: Jovem Wodaabe - homens realizando uma dança Yaake tradi-
cional, norte do Níger, 1997
Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=African+art&uselang=pt

Arte - Fascículo 8 - Unidade 20 31


Você sabia que o pintor cubista Pablo Picasso, por volta de 1905,
tomou conhecimento da arte africana, e daí surgiu nitidamente a ins-
piração para o movimento cubista? Um exemplo dessa influência é o
importante quadro Les Demoiselles D’avignon, onde se percebe, nitida-
mente, a forte influência africana.

Figura 19.5: Les Demoiselles d’Avignon


Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/
index.php?title=African+art&uselang=pt

Quanto à escultura, os objetos são confeccionados em barro, marfim,


metal, mas o material mais utilizado é a madeira, mais especificamente,
o ébano. A escultura, na arte africana, teve uma função semelhante à
das máscaras. As máscaras sempre foram protagonistas indiscutíveis
da arte africana e são as formas mais conhecidas da arte plástica afri-
cana. É uma arte extremamente voltada ao espírito religioso, caracte-
rística marcante dos povos africanos. Constituem síntese de elementos
simbólicos mais variados, convertendo-se em expressões da vontade
criadora do africano. Visitando os museus da Europa Ocidental, é possí-
vel conhecer o maior acervo de arte antiga africana do mundo.

Figura 19.6: Máscara do século XVI, Nigéria,


Edo, Corte de Benin, marfim, Metropolitan Mu-
seum of Art.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Edo_ivory_
mask_18472.jpg

32 Ensino Fundamental II
Não podemos esquecer a dança africana, cujo ritmo dinâmico e
agradável é uma das expressões artísticas africanas mais conhecidas.
Entre as danças, destacam-se lundu, batuque, Ijexá, capoeira, coco,
congada e jongo.

Saiba mais
Você pode conhecer um pouco mais sobre a cultura dos
povos africanos e a influência que eles exerceram na for-
mação da nossa cultura através do vídeo O povo Brasileiro/
Matriz Africana, do antropólogo e escritor Darcy Ribeiro.

https://www.youtube.com/watch?v=vwj1GBEYr_s

Conclusão
Você pôde perceber que a civilização africana nos presenteia com
inúmeras manifestações artísticas que vão da arquitetura à dança. O
desenho geométrico é um dos motivos recorrentes em todas as moda-
lidades. As máscaras são a forma mais conhecida das artes plásticas
africanas, sendo uma arte voltada ao espírito religioso.

A arte africana envolve um aspecto diferenciado, desde representa-


ções em pinturas, esculturas e objetos ornamentais de uso permanente
e cotidiano para homenagear os ancestrais, cultuar as forças naturais,
invocar forças vitais, propiciar boas colheitas, até objetos em geral que
acompanham os ritos, as danças e as cerimônias religiosas em sua
ampla gama de singularidades.

A escultura foi amplamente usada pelos artistas africanos, que uti-


lizavam materiais como o ouro, o bronze, o marfim e a madeira. As
máscaras sempre foram protagonistas indiscutíveis da arte africana. A
arte africana, principalmente as máscaras, influenciou muitos pintores,
entre eles, Pablo Picasso. Para os africanos, a máscara representava
um disfarce místico com o qual poderiam absorver forças mágicas dos
espíritos e, assim, utilizá-las na cura de doentes, em rituais fúnebres,
cerimônias de iniciação, casamentos e nascimentos.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 20 33


Referências
CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte: C/Arte, 2012.

PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Editora Ática, 1994.

http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/arte_africana

https://commons.wikimedia

Exercícios
1. Você pode reparar, nas obras africanas, que a linha é uma marca
forte e define a estética, mesmo quando são coloridas.
Agora, responda: que nome podemos dar a essa característica tão
marcante da arte africana?

2. Cite um pintor que tenha sofrido a influência da arte africana. Qual


o seu gênero de pintura?

Resposta dos exercícios

1. Se você respondeu que são as formas geometrizadas, acertou e


mostrou que esteve atento à leitura.

2. Um pintor que sofreu a influência da arte africana foi o cubista


Pablo Picasso.

34 Ensino Fundamental II
O Colorido
do Índio Brasileiro
Arte - Fascículo 8 - Unidade 21

Objetivos de aprendizagem

1. Identificar aspectos da cultura indígena e suas


manifestações artísticas;

2. Reconhecer a diversidade étnica indígena do Brasil;

3. Identificar o índio na cultura moderna.

Ensino Fundamental II
Para início de conversa...
“Somos parte da terra e ela é parte de nós.”

A formação da cultura brasileira não recebeu influência somente de


um povo. Nossa cultura é formada pela influência dos europeus, que
colonizaram o Brasil; dos povos africanos, que vieram escravizados;
dos povos indígenas, primeiros habitantes do Brasil.

Nesta unidade, iremos mergulhar em um estudo sobre a cultura dos


povos indígenas. Esses povos possuem um papel importantíssimo na
história da nossa formação cultural e merecem ser reconhecidos pela
sua contribuição.

Introdução
Etnia Diferentes grupos étnicos de índios habitavam o Brasil antes da
São as afinidades chegada dos portugueses. Os estudos arqueológicos e antropológicos
encontradas apontam cerca de 1500 etnias indígenas. Alguns dos grupos indígenas
através da cultura
de grupos da
brasileiros mais conhecidos são os Ticunas, os Guaranis, os Pataxós,
sociedade. Assim, os Ianomâmis, os Xingus, os Pataxós, dentre outros.
as pessoas do
Segundo dados do IBGE, de 2010, a população indígena encontra-se
mesmo grupo
étnico terão espalhada por toda a área brasileira. Os indígenas estão no interior da
afinidades Floresta Amazônica, assim como nas principais cidades do país: São
linguísticas,
Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
culturais e
genéticas.

1. Influências indígenas
Afinidade Muitos aspectos da cultura brasileira têm influência indígena. Na
Coincidência culinária, principalmente no Norte e no Nordeste brasileiro. A culinária
de gostos e indígena está presente em todo o território nacional. Em nosso dia a dia
sentimentos, isto é, comemos mandioca, milho, pamonha, canjica, guaraná, açaí... assim
pessoas que têm
os mesmos gostos como algumas palavras de origem indígena que fazem parte do nosso
e os mesmos vocabulário e que dão nome a lugares, como a Baía de Guanabara e a
sentimentos são Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.
pessoas que têm
afinidades. Hoje, em todo o território brasileiro, são encontrados cerca de 300
mil índios em 227 povos, que sofreram, desde a época da colonização

36 Ensino Fundamental II
do Brasil, frequentes ações de extermínio dos colonizadores, além de
um processo de exclusão por parte da população brasileira.

Muito já foi feito para assegurar os direitos humanos dos índios bra-
sileiros, e muitos órgãos, como a Funai (Fundação Nacional do Índio),
lutam para que, cada vez mais, os índios tenham seus direitos de cida-
dãos brasileiros e sua cultura preservada.

Figura 21.1: Cerimônia de dança dos índios Puris, quadro pintados


por Johann Moritz Rugendas no século XIX

2. Arquitetura indígena
Os índios costumam morar em moradias coletivas. Esse tipo de mo-
radia se chama oca. Em uma aldeia ou taba são construídas de 4 a 10
ocas, onde vivem várias famílias, geralmente entre 300 e 400 pessoas.

Figura 21.2: Oca Kamaiurá, à direita.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 21 37


As ocas e as outras construções ficam localizadas em volta do pátio,
ocara (a praça), que é utilizado para alguns rituais. Em algumas aldeias,
a moradia principal fica localizada no centro do pátio.

As ocas são construções que têm cerca de 30 metros de compri-


mento e duram mais de dez anos. Os índios constroem as ocas em
coletividade, como tudo o que fazem, e utilizam madeira, palha, folhas
de palmeira e bananeira para construir o telhado.

Figura 21.3: Parque Indígena do Xingu, uma das reservas indígenas brasileiras.

3. Arte Plumária
Os índios produzem seus adornos, ou seja, os enfeites que usam,
como colares e cocares. A arte plumária consiste no uso de penas na
confecção dos artesanatos e adornos, como o cocar, que utiliza vários
tipos de plumagem para a sua confecção.

O significado de cores vai variar de acordo com a tribo. Na etnia


Kayapó, os cocares indicam a posição do chefe dentro do grupo e sim-
bolizam a função de cada um dentro da aldeia. Normalmente, eles são
feitos pelos homens.

38 Ensino Fundamental II
Figura 21.4: Chefes Kayaós

4. Pintura corporal
A pintura corporal é usada pelos indígenas para enfeitá-los em suas
festas e rituais, além de ser uma proteção contra o Sol, os insetos e os
espíritos maus. Em muitas tribos, a pintura corporal é atribuição das
mulheres, sendo elas as responsáveis por pintar seus maridos e filhos. Urucum
Fruto do urucuzeiro,
Cada etnia indígena desenvolve seus padrões de pintura. Em seu dia árvore encontrada
a dia, as pinturas são bastante simples e, nos dias de festa ou nos dias nas florestas do
de combate, apresenta-se mais requintada. Brasil.

As tintas usadas para pintar o corpo são produzidas pelos próprios


índios. As mais comuns são as feitas com as sementes de urucum
(vermelho), do fruto jenipapo (preto esverdeado) e da tabatinga Jenipapo
(branco). Em suas pinturas, vemos muitos desenhos geométricos, re- Fruto do
jenipapeiro. Para
presentando alguns elementos da Natureza.
obter a tinta
do jenipapo, as
mulheres indígenas
5.Trançados e cerâmica ralam o fruto
e, em seguida,
Merece destaque a confecção de trançados, que fazem os mais di- espremem-na para
versos utensílios, como peneiras, cestos, armadilhas para caça e pesca, retirar a tintura.

o telhado das ocas, dentre outros. Os índios encontram muita matéria-


-prima para a técnica do trançado, já que há grande variedade de plan-
tas que servem para esse fim, desde o vime às folhas de palmeira. Tabatinga
Argila que
apresenta cores
variadas.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 21 39


Figura 21.5: Cesto

Figura 21.6: Cerâmica


indígena

Figura 21.7: Cerâmica produzida pelos índios que viviam na


região de Santarém, no Pará.

40 Ensino Fundamental II
Os índios confeccionam também instrumentos para a caça e para a
pesca, como as lanças e o arco e flecha. Para isso, utilizam, como ma-
téria-prima, a madeira e a pedra para a ponta da flecha e da lança. Hoje,
em muitas tribos, o arco e a flecha são usados com intuito esportivo.
É Isso mesmo! Assim como os Jogos Olímpicos, os povos indígenas
também têm seus Jogos Esportivos.

Figura 21.8: Jogos Indígenas

Com as possibilidades do mundo tecnológico e com as distâncias


encurtadas pelos meios de comunicação, muitas aldeias já possuem
luz elétrica, tendo, assim, televisão e até acesso à Internet.

A melhoria da comunicação favoreceu os índios, que podem se comu-


nicar com os diferentes grupos étnicos. Você deve ter percebido que os
meios de comunicação auxiliam os índios na manifestação e na reafirma-
ção da sua cultura como parte integrante de um todo cultural brasileiro.

Anote as respostas em seu caderno.


Atividade 1

A arte indígena tem um caráter utilitário, ou seja, faz parte do dia a


dia dos índios e serve, basicamente, para auxiliá-los em suas ativida-
des. Apresente duas manifestações artísticas e explique por que são
essenciais para o índio. Escreva a resposta em seu caderno.

Anote as respostas em seu caderno.

Arte - Fascículo 8 - Unidade 21 41


Anote as respostas em seu caderno.
Atividade 2

Existem vários sites que nos informam sobre as culturas dos povos
indígenas. Alguns exemplos:

Funai ( Fundação Nacional dos Índios) - www.funai.gov.br/

Museu do Índio - www.museudoindio.gov.br

Povos Indígenas do Brasil - https://pib.socioambiental.org/pt/

Vamos agora fazer uma pesquisa. Escolha um povo indígena e pes-


quise sobre seus rituais, sua arte, sua língua... Registre tudo o que você
pesquisou em seu caderno.

Anote as respostas em seu caderno.

Anote as respostas em seu caderno.


Atividade 3

Leia a fala de uma índia xingu sobre o seu povo, que foi afetado pela
construção da usina de Belo Monte, na região de Altamira (PA).

“Nós estamos perdendo o nosso meio de vida no rio. Precisamos de


outras oportunidades para continuar existindo. Nós perdemos a nossa
liberdade. Não temos mais o controle do rio. Se eles abrem as compor-
tas, como já abriram sem avisar, e levaram nossas coisas, a água pode
levar um de nossos filhos.”

Fonte: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambien-
tais/relatora-da-onu-para-povos-indigenas-visita-aldeias-atingidas-por-
-belo-monte

Como você explica essa fala?

Anote as respostas em seu caderno.

42 Ensino Fundamental II
Resumo
■■ Muitos aspectos da cultura brasileira têm influência indígena, princi-
palmente na culinária do Norte e do Nordeste;

■■ Os índios costumam morar em moradias coletivas. Esse tipo de mo-


radia se chama oca. As ocas são construções que têm cerca de 30
metros de comprimento e duram mais de dez anos;

■■ A arte indígena tem sua existência relacionada com a vida do índio.


Assim, as suas pinturas corporais, a arte plumária e a confecção de
utensílios são parte integrante da sua cultura;

■■ A arte plumária consiste no uso de penas na confecção dos artesa-


natos e adornos, como o cocar, que utiliza vários tipos de plumagem
para a sua confecção;

■■ A pintura corporal é usada pelos indígenas para enfeitá-los em suas


festas e rituais, além de ser uma proteção contra o Sol, os insetos e
os espíritos maus;

■■ Na confecção de trançados feita pelos índios, são produzidos os


mais diversos utensílios, como peneiras, cestos, armadilhas para
caça e pesca, o telhado das ocas, dentre outros;

■■ A cultura indígena, por muito tempo, foi vítima de tentativas de sub-


metê-la ao esquecimento; por isso, a importância do reconhecimen-
to da cultura indígena e o seu caráter artístico é essencial.

Referências
O Mundo da Arte - Enciclopédia das Artes Plásticas em Todos os Tempos.
Mundo Oriental. Editora Expressão e Cultura.

PROENÇA, GRAÇA. Descobrindo a história da arte. 1ª. Edição. São Paulo.


Editora Ática, 2005.

http://www.wiKipédia.org/

Imagens
Imagem 21. 1 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Puris#/media/File:Indios_Puris_em_cerim%C3%B4nia_
de_dan%C3%A7a.jpg
Imagem 21. 2 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Kamaiur%C3%A1_-_Wide.jpg
Imagem 21. 3 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Parque_Ind%C3%ADgena_do_Xingu.jpg

Arte - Fascículo 8 - Unidade 21 43


Imagem 21. 4 – https://en.wikipedia.org/wiki/Kayapo#/media/File:Kaiapos.jpegImagem 21. 5
– https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/13/Cesto_cargueiro_-_Temb%C3%A9%2C_
MA_1923_MN_01.jpgImagem
21. 6 – https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/Basket%2C_split_reed%2C_
Wapishana_-_AMNH_-_DSC06182.JPG
Imagem 21. 7 – https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/Cer%C3%A2mica_
ind%C3%ADgena%2C_MAE-USP.JPG
Imagem 21. 8 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_pr%C3%A9-cabralina_do_Brasil#/media/
File:Vaso-santar%C3%A9m.JPG
Imagem 21. 9 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brazilarcher.jpg

Respostas das atividades

Atividade 1

Os índios, em sua vida diária, apresentam diversas manifestações


artísticas. São elas: pintura corporal, música, dança, arte plumária, cerâ-
mica e trançados. Para justificar a sua escolha, retorne ao texto e leia as
principais características dessas manifestações.

Atividade 2

Existem diversas etnias indígenas em nosso país. Existem sites que


falam especificamente de algumas delas. Esses sites irão ajudá-lo em
sua pesquisa.

Atividade 3

Pense bem na situação dos índios nos dias de hoje. Seu ambiente
invadido pelo progresso de uma construção de uma hidrelétrica, des-
truindo muito do seu ambiente natural. Em determinados momentos,
é compreensível que se revoltem diante de um aculturamento que lhes
foi imposto e que os desvia das suas origens.

44 Ensino Fundamental II

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